Cáceres - As belas fachadas das casas vizinhas, Casa del Sol e Casa del Águila e outras curiosidades...


A Casa del Sol ou Casa de los Solís, situada na Callejón de la Monja, destaca-se à distância pela sua característica varanda semicircular, mas chegando mais próximo, ganha a nossa atenção o escudo familiar.

Reza a lenda que foi concedido o título de nobre à linhagem Solís, por um membro da família ter conseguido levar uma mensagem da rainha Isabel, a Católica, desde Cáceres a  um destino distante (existem várias versões, li Valladolid ou Tordesilhas), cavalgando ao longo de um só dia. Trata-se realmente de um feito, em qualquer dos casos trata-se de uma distância de cerca de 300 km...


O escudo da Casa del Sol é lindíssimo e muito peculiar: retrata no centro um sol com uma cara humana com um ar sofrido, cujos raios solares estão a ser trincados por cabeças de serpente. Extravagante, entre tantos escudos deste núcleo histórico, não insistindo em traços nobres e soberanos. Transmitindo, num primeiro olhar desatento uma mensagem humorística, mas devendo-se tratar muito mais de uma mensagem bem mais séria, e eventualmente uma chamada de atenção à cautela, pois no escudo familiar é representado um sol, cujos raios solares, de uma forma intercalada, estão a ser atacados por 8 cabeças de serpentes, ou estão a ser tentados pelas serpentes, ... uma espécie de tentar tirar o brilho à família ou a força/poder dos seus raios solares... há quem diga que se tratam de cabeças de dragão, mas eu sou apoiante da versão das cabeças de serpentes...

A Casa del Sol é uma casa-fortificada gótica, que pertence ao grupo das que ficaram sem a sua torre por ordem dos reis católicos D.ª Isabel e D. Fernando. O familiar mais conhecido foi Dom Gomez de Solís, nascido por volta do ano 1410, que se tornou o "Mestre de Alcántara", tendo sido muito criticado por favorecimento de familiares e não cumprir com a sua palavra. Mas talvez o que mais o marcou, foi a sua envolvência direta na guerra civil que se travou em Cáceres, opondo duas facções, a do Don Gómez de Solís e a do Don Alonso de Monroy, tendo cada um o seu grupo de apoiantes, procurando cada uma das partes simplesmente aumentar a sua fortuna. Morreu pobre e apoiado apenas pelos seus familiares em 1473 e encontra-se sepultado na igreja de São Francisco de Cáceres.
Diz-se que existe um túnel que liga esta casa diretamente à igreja de São Francisco e que os atuais habitantes, os Padres de la Preciosa Sangre, o utilizam.

Vale mesmo muito a pena passar pela Callejón de la Monja para poder apreciar a fachada desta casa presencialmente. Esta fachada resume-se a 4 elementos característicos: (1) a gárgula; (2) o escudo singular e muito bem preservado, coroado com um lindíssimo (3) capacete de cavaleiro e (4) a varanda.


Infelizmente, começou a chover, e não tirámos mais fotos a esta casa.

Junto à Casa del Sol, encontra-se a Casa del Águila.


O que caracteriza a fachada desta casa é o escudo familiar em mármore branco (também bastante invulgar nestas casas...) a retratar uma águia de asas abertas. Este escudo pertence à família Sande que, como se pode concluir, já foi proprietária desta casa.


Também a janelinha gótica e uma espécie de faixa de rendas no cimo da fachada embelezam a fachada desta casa.



Para conhecer mais histórias associadas às casas e aos palácios das famílias cacerenhas deste núcleo monumental, consulte também:
  • A trágica lenda da Casa del Mono (mais info);
  • Palácios dos Golfinhos de Abajo e de Arriba (mais info);
  • As histórias da Torre Redonda do Palácio Carvajal e a maldição dos irmãos Carvajal (mais info).




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Se tiverem também curiosidade sobre a nossa experiência por estradas espanholas, faço-vos o convite de visitarem também os nossos artigos:

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