Costa da Caparica - Viagem de ida e volta no mítico Transpraia

Enquanto planeava as nossas férias na Costa da Caparica, estava nos meus planos explorarmos todas as praias mais remotas do centro, utilizando o Transpraia. Quero com isto dizer que num dia íamos até à praia da Rainha, noutro dia íamos até à praia da Cabana do Pescador, e assim sucessivamente...Podíamos fazer um roteiro diário com o objetivo de explorar as praias da Costa da Caparica, tendo como fiel aliado deste objetivo o velhinho mini-comboio da praia.


Mas ao apercebemo-nos do percurso que tínhamos de fazer até chegar ao ponto de partida do Transpraia e dos preços praticados, abandonei logo a minha ideia inicial. Em vez de utilizar o Transpraia como transporte público para deslocação ao longo da linha da costa, este tinha de ser visto como uma experiência única a não perder. A viagem no Transpraia iria ser exclusivamente turística, encarada com um espírito saudosista pelo André e por mim, e tratando-se de uma viagem de estreia para os meus filhos.

Desta forma, um dia, sem filas de espera (o que não me surpreende) comprámos os bilhetes de ida e volta, para realizarmos a viagem no mítico Transpraia ao longo de todo o percurso disponibilizado para o efeito. O comboio tradicional parte sensivelmente de meia em meia hora.
Sentámo-nos nos bancos de madeira de 4 lugares do pitoresco comboio, e esperámos pelo início desta aventura!

Não estejam à espera de uma viagem calma e relaxante, antes pelo contrário: conforto e comodidade não rimam com este tradicional comboio de praia! Neste contexto, as palavras de ordem são mais os abanões. Das duas uma, ou trata-se de um sistema de suspensão muito rudimentar, ou simplesmente, inexistente. E além, dos abanões, há ainda a registar o ruído do motor da locomotiva!
Tudo a postos, vamos então arrancar!

Deixo-vos aqui uma pequena amostra da sensação vivida no Transpraia
↪ Além de uma viagem arejada, é claramente ruidosa e agitada...

Logo junto à 1ª paragem, na Praia da Saúde, destaca-se o parque de campismo sedeado nesta zona.

Além, do parque de campismo, é notório outro parque, ou melhor, outros parques. Estou-me a referir aos vários parques de estacionamento instalados ao longo da linha da praia.

Conforme vamos percorrendo a linha de praias, vamos avistando parques de estacionamento de terra batida que prestam serviço ao vasto parque automóvel por estas bandas presente. Até à inauguração da Ponte 25 de Abril, a antiga Ponte Salazar, em 1966, o Transpraia era um transporte exclusivo, praticamente sem concorrência para aceder a estas praias mais remotas do centro da Costa da Caparica, tendo prestado até então um importante serviço público, tanto aos habitantes como aos veraneantes que frequentavam estas praias. Porém, com esse evento, os portugueses passaram a preferir o uso do seu automóvel, evitando as enormes filas antigamente existentes para o Transpraia (já vi fotos antigas desta situação). É evidente, que nessa altura o Transpraia com certeza perdeu um número considerável de passageiros, porém não afetando a sustentabilidade do mesmo. No entanto, agora com a deslocação do terminal de partida do Transpraia, imposto pelo Programa Polis, a continuidade desta empresa está ameaçada.



Ainda na primeira parte da viagem é belo apreciar as antigas casas dos pescadores, que me pareceu terem sido entretanto transformadas para alojar turistas.

Ao longo da viagem, a linha do Transpraia está ladeada de belas imagens: de um lado a Arriba Fóssil da Costa da Caparica, grandiosa e omnipresente que nos acompanha ao longo de todo o percurso, e do outro lado, a paisagem da praia que vai intercalando com uma paisagem dunar.

Penso que, tratando-se de uma viagem turística, deveria passar a existir uma gravação com factos e curiosidades, como normalmente existe nos comboios ou autocarros turísticos. Assim, ao longo do percurso, além de sermos prendados com lindas paisagens, iamos escutando uma gravação a dar informações sobre as paisagens que se iam deslumbrando e curiosidades do local ou mesmo do próprio mini-comboio tradicional.


Assim, poder-se-ia também referir a atividade da Arte Xávega neste local, que tivemos a sorte de poder avistar nesta viagem, compondo a moldura.


Outro ponto alto desta viagem é quando nos cruzamos com outra composição que já está a realizar a sua viagem de regresso.

Como mandam as regras, o cumprimentar e acenar aos outros é obrigatório....

Outra imagem de marca desta viagem são sem dúvida os inúmeros restaurantes e bares que são explorados ao longo desta linha da costa, tentando das mais diversas formas, cativar clientes.

Nem ao fim de meia hora, chegamos à última paragem "Fonte da Telha". O tempo de viagem voou ao ritmo do "...pouca terra, pouca terra, pouca terra...uh, uh...." 

Enquanto esperávamos para voltar a embarcar para a viagem de regresso, os miúdos aproveitaram para se deliciarem com um belo gelado. E os graúdos para não ficarem a olhar, igualmente! :)

Publicámos também os seguintes posts sobre o Transpraia:

Já agora, aproveitem e consultem >>>> Costa da Caparica - A não perder...

A visitar nos arredores:



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