Cáceres - A trágica lenda da Casa del Mono

Passeando pela Calle del Mono, à primeira vista, é inevitável o nosso espanto. Um macaco pendurado numa esquina de um edifício. Puxa sorrisos e causa estranheza, no meio de um casario tão austero de casas fortificadas de pedras. 
Porém, a lenda associada a este macaco, de graça não tem nada, muito mais se trata de uma história horripilante... 

Este edifício é conhecido por Casa del Mono, ficando a rua com o mesmo nome Calle del Mono. Mas na verdade, a casa chama-se Casa de los Cáceres y los Nidos ou então Casa de los Pizarro-Espadero . Porém, a existência de uma escultura de um macaco (mono em espanhol) na escada interior do edifício (que nós não vimos, porque estava fechada), terá dado o nome à casa... ou então é devido à lenda pela qual a casa ficou muito conhecida...

Este edifício entra no grupo das casas fortificadas que tal como muitas outras ficaram sem as suas torres, por não terem apoiado Isabel I. A fachada da casa tem curiosidades, pequenos detalhes muito bem escondidos, que só um olhar atento consegue descobrir.
A primeira curiosidade está relacionada com o brasão da família que se encontra por cima da porta.
↪ O brasão é constituído por 2 leões que têm uma peculiaridade... Descobriram? Observem... isso mesmo... os leões estão com o rabo entre as pernas... não é bizarro... esta expressão popular refere-se ao ser vencido, humilhado, amedrontado.... colocar esse tipo de simbolismo no brasão familiar é deveras estranho.... Fica ao critério de cada um, interpretar tal símbolo no brasão.

Outra curiosidade prende-se com as 3 aberturas que recebem as águas dos beirais (3 gárgulas) que retratam 3 personagens distintas, retratando as figuras da lenda. No quadro informativo indica que são retratados: uma mulher de luto, um ancião e um jovem. Antes de analisar melhor estas gárgulas, vamos à lenda.

Conta a lenda, que no regresso de uma longa viagem de um rico burguês, o mesmo trouxe à sua esposa um macaco, para lhe fazer companhia, visto que o marido passava muito tempo por fora, em viagens. Como este casal não tinha filhos, o macaco foi tão mimado ao ponto de ficar até com um quarto só para ele. Entretanto, a senhora engravidou, mas pelo que consta, o filho não terá sido do seu marido (existem várias versões). Sucede-se então a desgraça: Quando o bebé nasceu, reza a lenda, que o macaco ficou com tantos ciúmes desse ser inocente, que o deitou pela janela fora, causando-lhe a morte.
Tratando-se de uma lenda, fica ao critério de cada um, imaginar o que realmente causou este terrível desfecho. 
O dono mandou acorrentar o macaco até à sua morte (daí aquele retrato do macaco na esquina da casa e a imagem na escada interior...). Consta que foi o marido que mandou afixar estas gárgulas para que esta história triste não caísse em esquecimento ou para defender a sua honra.

Desta forma, focando o nosso olhar nas respetivas gárgulas, apesar de não ter fotos de qualidade das mesmas, conseguimo-nos aperceber do seguinte:

  • Na primeira gárgula à esquerda é representada uma mulher de luto, chorando a perda do seu bebé; até me parece que está agarrada ao bebé;

  • A segunda retrata o macaco segurando o bébé (contrariando a placa informativa....);

  •  A terceira e última gárgula representa um ancião virado de costas para estes primeiros. Infelizmente não tenho foto de frente para a cara desta figura.

Aqui, mais uma perspetiva do macaco e do ancião:


Para conhecer mais histórias associadas às casas e aos palácios das famílias cacerenhas deste núcleo monumental, consulte também:
  • Palácios dos Golfinhos de Abajo e de Arriba (mais info);
  • As histórias da Torre Redonda do Palácio Carvajal e a maldição dos irmãos Carvajal (mais info);
  • As belas fachadas das casas vizinhas, Casa del Sol e Casa del Águila, e outras curiosidades... (mais info).

Consultem também  >>>> Visita Flash a Cáceres, Extremadura, Espanha


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Se tiverem também curiosidade sobre a nossa experiência por estradas espanholas, faço-vos o convite de visitarem também os nossos artigos:




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