>>>> Visita Flash ao Porto Brandão, Caparica e Trafaria


Foi efetivamente uma visita rápida, na qual apenas encostámos o carro no porto, apreciámos as vistas, tirámos fotos, e voltámos para o carro.
Porém, valeu muito a pena pelas vistas, ficámos mesmo de frente para a Torre de Belém! Espetacular!
Com Belém ali tão perto, é natural que existam carreiras entre Porto Brandão e Belém. Pode ser uma bela ideia fazer a travessia de Lisboa, não pela habitual Ponte 25 de Abril, mas sim pelo rio Tejo, via de comunicação por excelência, um pouco esquecida em prol do uso dos carros. Eu falo por mim. De fato, é por motivos de mudança de hábitos que as antigas empresas de navegação tiveram de fechar as portas por falta de rentabilidade, e a Transtejo, empresa pública criada em 1975, passou a assegurar as travessias. Assim, enquanto antigamente era o rio Tejo a via de comunicação de eleição e por isso deveras congestionada, hoje em dia é a Ponte 25 de Abril o elo de ligação predilecto das 2 margens , e por isso mesmo a atual via congestionada, ficando o rio longe desse frenesim.

De resto, olha-se à volta, e à 1ª vista, o local não cativa para ficarmos mais um pouco..
No entanto, já consta que se pretende reabilitar a zona para o turismo tal como se fez em Cacilhas.

Efetivamente, esta antiga aldeia piscatória já teve outra movimentação, tendo existido aqui uma forte tradição na indústria naval. Até uma lenda amorosa com um fim trágico existe associado ao nome deste porto. Assim, reza a lenda, que Brandão era um jovem operário da construção naval, apaixonado por Paulina, filha do dono do estaleiro naval. Claro é que o pai queria um partido melhor para a sua filha, pelo que colocou Paulina num navio com destino para a Índia, com o intuito de a casar com um rico comerciante. Brandão para não perder a sua amada, tentou retirá-la do navio, mas foi apanhado, morto e lançado ao rio. Perante este cenário trágico, a pobre Paulina desesperadamente, também se atirou ao rio e morreu. Dias depois o corpo de Brandão deu à praia que se passou a designar Porto Brandão e o de Paulina apareceu noutra praia que passou a chamar-se Porto de Paulina, entretanto convertido para Lazareto.

E por falar em Lazareto, leva-nos a desviar o olhar para a colina do lado direito à praia, para tentar avistar os 2 edifícios mais emblemáticos de Porto Brandão, ambos em ruínas, votados ao esquecimento, com tanta história por contar, podendo enriquecer de forma apaixonada tantas gerações sobre o passado:  precisamente o edifício do Lazareto e a Torre Velha. Penso que sejam de difícil acesso e por isso nem tentámos ir visitá-los.

edifício do Lazareto, junto à Torre Velha, que data dos finais da década de 60 do século XIX  também tem um fim triste associado. Fazendo uma ligação religiosa, São Lázaro, era também conhecido como o Leproso, protetor dos leprosos e dos mendigos. Lazareto, pela própria definição do nome, significa hospital para lebrosos ou então um edifício para fazer quarentena. E foi precisamente esta última a função inicial deste edifício. Albergava pessoas vindas de viagens marítimas que tinham de estar em quarentena para evitar epidemias. Antes de atracarem em Lisboa, os doentes desembarcavam para serem internados no Lazareto, sendo os próprios e os seus pertences desinfectados. Um exemplo de uma personagem querida de todos nós é Rafael Bordalo Pinheiro. Quando este, de regresso a Portugal após uma viagem ao Brasil, esteve internado no Lazareto, tendo inclusivamente produzido a obra "No Lazareto de Lisboa", disponível em formato digital no site da Biblioteca Nacional de Portugal. 
Depois o Lazareto passou albergar raparigas pobres e por fim muitas famílias oriundas das antigas colónias portuguesas. Por coincidência infeliz, coisas do destino, aconteceram por duas vezes acidentes na mesma fatídiga noite de 6 de janeiro, em 1958 e em 1996, provocando em cada vez a morte de 2 crianças. O edifício foi definitivamente encerrado.

Não poderia terminar esta mensagem sobre Porto Brandão, sem referir que é aqui que se encontra a fortificação portuguesa mais antiga para a defesa marítima, a Fortaleza da Torre Velha, também conhecida por Torre de São Sebastião de Caparica. Primeiro foi torre, depois de reformada por D. Sebastião passou a fortaleza, tendo ficado também conhecida como Torre dos Castelhanos, devido os trabalhos de transformação em fortificação terem sido continuados na Dinastia Filipina.
Primeiro exemplo de arquitectura militar para a defesa da barra do estuário do Tejo que data dos finais do século XV. Esta torre, na margem esquerda, integrava um sistema de defesa tripartida em conjunto com mais duas torres na margem direita: a bem conhecida Torre de Belém e a Torre de Santo António de Cascais. Todas operavam em conjunto e em cooperação com naus artilhadas no fogo cruzado, em particular o tiro rasante, sobre o rio Tejo para afastar os inimigos. 
Contudo, hoje em dia, a Torre de Belém é um símbolo bem preservado, visitado por milhares, enquanto que a Torre Velha, outro símbolo, por sinal a primeira das torres deste estilo, encontra-se em ruínas. Mais incompreensível torna-se esta situação sabendo que se trata de um monumento nacional...

Façam uma paragem neste local que guarda tantas histórias, é só seguir as indicações... :)


A visitar nos arredores:



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